Andei Lendo

Andei Lendo: A Escrava Isaura de Bernardo Guimarães

A Escrava Isaura

– Mas, senhora, apesar de tudo isso, que sou eu mais do que
uma simples escrava? Essa educação, que me deram, e essa beleza, que
tanto me gabam, de que me servem?… são trastes de luxo colocados na
senzala do africano. A senzala nem por isso deixa de ser o que é: uma
senzala.
– Queixas-te da tua sorte, Isaura?…
– Eu não, senhora; não tenho motivo… o que quero dizer com
isto é que, apesar de todos esses dotes e vantagens, que me atribuem,
sei conhecer o meu lugar.
E, de repente, sentiu que aquele momento tinha algo de solene.

O livro conta a história de Isaura, escrava muito branca e muito bela, e que por conta disso, é tratada diferente das outras escravas, recebendo educação e frequentando ambientes da casa de seu senhor como se fosse uma dama. Mas, por conta desse mesmo motivo, ela é alvo das investidas indiscriminadas dos homens e da crueldade de seu senhor, que a deseja pra si, custe o que custar.

Antes de adentrar a crítica da obra em si e apontar todos os problemas que vejo nesse romance, vale dizer que A Escrava Isaura foi escrito em (1875) plena campanha abolicionista no Brasil e que uma das intenções de Guimarães era sensibilizar as mulheres, grandes consumidoras de romances na época, quanto ao assunto, fazendo do livro uma manifestação antiescravagista (ainda que muito sutil) e tornando sua protagonista uma personagem muito parecida fisicamente com suas leitoras.

Entendo as intenções do autor mas não poderia discordar mais dessa decisão preconceituosa. Não bastava humanizar a escrava despindo-a em camadas e mostrando-a como qualquer outro ser humano, não diferente de sua senhora, tinha que torná-la branca; como se o simples fato de torná-la negra, fosse desmerecer toda humanização construída na história.

Se isso não fosse o suficiente, o fato da beleza dela ser ressaltada constantemente é absurda! Isaura é educada e de boa índole mas parece que nada disso é o suficiente para se conquistar um homem da sociedade brasileira da época se não houver beleza (alva e virginal). A passagem no livro onde o autor diz que a beleza de Isaura aumenta na mesma proporção de seu sofrimento é particularmente transtornante.

Sem falar na pieguice que é a história! A bela virginal sofre na mão de um homem enquanto seu coração pertence a outro.

Enfim.

Sei que tenho que levar em conta a época em que o livro foi escrito, já que todas as coisas as quais problematizei eram normais a época; mas não consigo evitar de levar esses “problemas” em consideração durante a leitura.

O livro é bem escrito? O livro é bem escrito. E MUITO! Mas isso não foi o suficiente pra conquistar esse coraçãozinho.

A Escrava Isaura
Bernardo Guimarães
Audiobook
❤❤


E você, já leu o livro? Gostou? Não gostou? Vamos conversar nos comentários!

Smacks! ;*

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