BEDA · Primeiras Linhas

Primeiras Linhas – A Sombra Vinda do Tempo de H. P. Lovecraft (em áudio!)

Primeiras Linhas, onde trago os melhores inícios de livros, é uma das ideias que trouxe do meu extinto blog para o Randomicidades. Acredito que as primeiras linhas de um livro ditam muito do que vai ser a leitura e é muito fácil fazer um leitor se apaixonar de cara pela história, criando expectativas do que está por vir.

Já faz muito tempo que tive esse ideia de fazer o Primeiras Linhas em áudio, onde eu leria os inícios de livros, mas sempre acabei postergando (ora por problemas “técnicos”, ora por vergonha, ora por preguiça). Então veio Agosto, veio mais um BEDA  e achei que seria uma boa maneira de fechar um mês inteirinho de postagens.

Fiz em forma de vídeo. Achei que seria mais legal.

Agora, chega de falar e bora mostrar o resultado pra vocês! Espero que gostem. :)

(Para quem não está conseguindo ver o vídeo, clique aqui para ver diretamente no YouTube.)

“Após vinte e cinco anos de pesadelos e terror, dos quais fui salvo apenas por uma convicção desesperada na origem mítica de certas impressões, reluto em afirmar a verdade do que julgo ter encontrado na Austrália Ocidental na noite do dia 17-18 de 1935. Tenho motivos para crer que minha experiência tenha sido, no todo ou em parte, produto de uma alucinação – para o qual, a bem dizer, havia razões de sobra. Mesmo assim, confesso que o realismo dessas impressões foi a tal ponto horripilante que às vezes perco a esperança. Se aquilo de fato aconteceu, então a humanidade deve estar pronta para aceitar noções a respeito do cosmo e do próprio lugar que ocupa no turbulento redemoinho do tempo cuja simples menção te um efeito paralisante. Deve também ficar de guarda contra um certo perigo `espreita que, embora não seja capaz de engolir toda a raça dos homens, pode trazer horrores monstruoso e inimagináveis para certos indivíduos mais audazes. É por isso que peço, com todas as minhas forças, que abandonem de vez todas as tentativas de encontrar os fragmentos de cantaria desconhecida e primordial que a minha expedição tinha por objetivo investigar.”

Se gostaram, não deixem de curtir e compartilhar!

Até a próxima!

BEDA · Primeiras Linhas

Primeiras Linhas – Um Conto de Natal de Charles Dickens

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Para começar a história, Marley estava morto. Não havia a menor dúvida quanto a isso. O atestado foi assinado pelo escrivão, pelo sacerdote, pelo agente funerário e pelo encarregado do enterro. Scrooge também assinou, e sua assinatura era sempre bem-vinda, tanto na Bolsa quanto em qualquer outro lugar.

Sim, o velho Marley estava tão morto quanto uma pedra.

Veja bem: não quero dizer com isso que eu saiba, por experiência própria, como é estar morto como uma pedra. Na verdade, se tivesse de fazer uma comparação, acho que não há nada mais morto do que a lápide de um túmulo. Quem inventou esta antiga expressão foram os nossos sábios antepassados, e não serei eu quem vai querer mudá-la, senão, daqui a pouco, tudo estará de pernas para o ar. Deixe-me, portanto, repetir com toda ênfase: Marley estava tão morto quanto uma pedra.

Um Conto de Natal, Charles Dickens

BEDA · Primeiras Linhas

Primeiras Linhas – 1Q84 de Haruki Murakami

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O rádio do táxi estava sintonizado em FM numa estação de música clássica. Tocava a Sinfonietta de Janáček. Aquela provavelmente não era uma das músicas mais apropriadas para se ouvir num táxi, em pleno congestionamento. O motorista também não parecia estar prestando muita atenção a ela. Como um experiente pescador que, de pé na proa de seu barco, pressente algo ruim ao observar o encontro das correntes marítimas, esse senhor de meia-idade olhava, em silêncio, a fileira de carros à sua frente. Aomame, confortavelmente recostada no banco de trás, escutava a música com os olhos levemente cerrados..

1Q84, Haruki Murakami

Primeiras Linhas

Primeiras Linhas – O Poço e o Pêndulo de Edgar Allan Poe

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EU ESTAVA EXTENUADO, extenuado até a morte, por aquela longa agonia. E quando eles, afinal, me desacorrentaram e me foi permitido sentar, senti que ia perdendo os sentidos. A sentença, a terrível sentença de morte, foi a última frase distintamente acentuada que me chegou aos ouvidos. Depois disto, o som das vozes dos inquisidores pareceu mergulhar num zumbido fantástico e vago. Trazia-me a alma a ideia de rotação, talvez por se associar, na imaginação, com a mó de uma roda de moinho. Mas isto durou apenas pouco tempo, pois logo nada mais ouvi. Contudo, durante algum tempo, eu via… porém com que terrível exagero! Eu via os lábios dos juízes vestidos de preto. Pareciam-me brancos, mais brancos do que as folhas de papel sobre as quais estou traçando estas palavras, e grotescamente delgados; mais adelgaçados ainda pela intensidade de sua expressão de firmeza, de imutável resolução, de desprezo pela dor humana. Eu via os decretos do que, para mim, representava o Destino saírem ainda daqueles lábios. Via-os torcerem-se, com uma frase letal. Via-os articularem as sílabas do meu nome, e estremecia por não ouvir nenhum som em seguida. 

O Poço e o Pêndulo, Edgar Allan Poe

Primeiras Linhas

Primeiras Linhas – 20.000 Léguas Submarinas de Jules Verne

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O ano de 1866 foi assinalado por um acontecimento estranho. Havia já algum tempo que vários navios vinham encontrando nos mares “uma coisa enorme”, um objeto comprido, em forma de fuso, às vezes rodeado por uma espécie de fosforescência, muito mais corpulento e rápido do que uma baleia. Os relatos sobre esses encontros, registrados nos diários de bordo, coincidiam perfeitamente nos pormenores da estrutura do objeto ou do ser em questão. Relatavam a espantosa mobilidade de sua movimentação, a sua surpreendente força de deslocação e falavam da vida especial de que ele parecia dotado.

Negociantes, armadores, capitães de navios, mestres e contramestres da Europa e da América, oficiais das marinhas de guerra de todos os países e os governantes das diversas nações dos dois continentes, andavam seriamente preocupados com o fenômeno.

Que ele existia era um fato incontestável. Com o pendor do cérebro humano para o maravilhoso, será fácil compreender-se a sensação suscitada em todo o mundo por esse aparecimento sobrenatural.

A 20 de julho de 1866, o vapor “Governor Higginson” havia encontrado o objeto em questão, a cinco milhas a leste das costas da Austrália.

20.000 Léguas Submarinas, Jules Verne